A Polícia de Hitler:Um Retrato do mal


A Polícia de Hitler: Um Retrato do Mal

Título Original: Hitler's SS: A Portrait in Evil

Ano: 1985 - 139min
Elenco: John Shea - Bill Nighy - David Warner - Colin Jeavons - Warren Clarke - Carrol Baker - Lucy Gutteridge - Michael Elphick - José Ferrer
Diretor: Jim Goddard
Produtor: Edgar J. Scherick, Aida Young
Roteiro: Lukas HellerFotografia: Ernest Vincze


"Aproveite a guerra, que a paz será terrível".
Essa frase, tragicamente irônica, ao ser proferida numa das cenas finais do filme, resume bem o clima apocalíptico em que viviam os alemães na primavera de 1945.
Uma cena no campo de Dachau também simboliza o regime autoritário da época, quando um dos prisioneiros diz ao guarda que no pavilhão há um homem morto, e a resposta é: "Nós é que decidimos quem está morto ou não".


Trata-se, portanto, de uma trama com abordagem do ponto de vista alemão. Enquadra-se no gênero de filme "histórico", relatando de forma praticamente linear os acontecimentos na Alemanha desde 1931 até os dias finais da batalha por Berlim.
O filme conta a história de Helmut (Nill Nighy) e Karl Hoffmann (John Shea), dois irmãos que presenciaram toda a ascensão do poder de Hitler na Alemanha. Helmut decide alistar-se na SS, a polícia nazista, e acaba se tornando um oficial de sucesso e poder. Karl junta-se às SA (de Rohm) e vive a experiência de conhecer o lado mais obscuro do nazismo quando a SA é eliminada e ele é jogado na prisão, tendo depois que alistar-se no exército alemão. Irmão volta-se contra irmão e à medida em que o Terceiro Reich vai perdendo a guerra, junto a ele a relação desses dois irmãos também ficará em ruínas. Nos dois irmãos, a condição humana e seus conflitos interiores são explorados: enquanto Helmut, na SS, vai-se envolvendo cada vez mais com a linha-dura do partido, Karl evolui na direção oposta, refletindo sobre as injustiças praticadas pelo regime. Paralelamente, rolam os dramas do povo alemão: a família, o amigo judeu, o bonachão dono de taverna, a cantora, o comediante, as crianças que irão se aliar à juventude hitlerista, enfim, pessoas comuns que acabam atropeladas pelo rolo compressor nazista.


Em pouco mais de duas horas, evidentemente, o filme não conseguiria dissecar a história do III Reich em profundidade, mas é possível reviver alguns dos momentos mais antológicos desse período, tais como: a rivalidade entre as SA e as SS levando à trama que culminou com a prisão e fuzilamento de Rohm, o chefão das SA, e seu staff (contando com a presença pessoal de Hitler empunhando uma pistola, na ação); a farsa, revelada em detalhes, da "invasão" à rádio alemã na fronteira polonesa - que proporcionou a "desculpa" para a Alemanha invadir a Polônia e dar início à WWII; o assassinato de Heydrich (protetor da Boêmia Morávia, cuja morte foi vingada com milhares de assassinatos e levou ao aniquilamento a cidade de Lídice); a tragédia de Stalingrado; o complô contra Hitler em julho de 1944, liderado pelo Coronel Stauffenberg; o fanatismo das crianças e jovens do Volksturm, que defendiam Berlim nos últimos dias.
A direção esmera-se em tomadas de ângulos especiais. Heydrich, que passou à História como o "Açougueiro de Praga", sempre aparece em tomadas do ponto de vista de "baixo para cima", com exceção da cena em que sofre o mortal atentado.


Como película, tem as limitações de filme feito para TV e, segundo os experts, peca em alguns oops históricos (vide IMDb), mas, enfim, trata-se de um filme que pode instigar o espectador a pesquisar mais em profundidade a história do Terceiro Reich e é principalmente uma obra para ser conferida por quem já possui algum conhecimento sobre o assunto, passando a limpo uma visão panorâmica da ascensão do nazismo e do desenrolar da Segunda Guerra Mundial, do ponto de vista alemão.

Oriza Martins////

Os Miseráveis (Les Misérables-1995)


Os Miseráveis (Les Misèrables-1995)


Direção: Claude Lelouch

Elenco: Jean-Paul Belmondo, Michel Boujenah, Alessandra Martines, Salomé Lelouch, Annie Girardot, Philippe Léotard... Duração: 170min

Cada época tem seus miseráveis.

O diretor Claude Lelouch realiza, nesse filme, um paralelo entre a obra de Vitor Hugo (com a situação catastrófica da época da Revolução Francesa) e o cenário da Segunda Guerra Mundial, na França.

Como todos os filmes de Lelouch, este é rico em personagens cujas vidas se entrecruzam.


Sinopse:
Para o humilde Henri Fortin (Jean-Paul Belmondo), a vida sempre foi um grande desafio. Desafios imensos o aguardam quando em seu caminho cruzam três pessoas desesperadas, fugindo do terror nazista.

Na primeira fase do filme, Henri Fortin, assim como o personagem de Vitor Hugo (Jean Valjean preso por roubar um pedaço de pão) - é preso por um crime que não cometeu e amarga o inferno na prisão francesa. Sua esposa acaba por ter que se prostituir para o patrão, sob os olhos de seu próprio filho, sendo constantemente humilhada.


Numa segunda fase, já sob o terror nazista, Henri Fortin dá carona a uma família de judeus em fuga.


Analfabeto, encanta-se com a leitura de "Os Miseráveis" pela garotinha da família, enquanto dirige seu caminhão.

Começa, então, a paráfrase genial de Claude Lelouch - comparando as duas épocas com as sagas das personagens.

A família é obrigada a deixar a garota sob seus cuidados, e Henri a interna em um convento católico onde a menina passará por novas provações durante a guerra.

A partir daí, Henri Fortin vê-se envolvido pelo turbilhão da guerra: o colaboracionismo, a Resistência Francesa... Sua existência reflete com clareza a luta entre o bem e o mal que existe dentro de cada ser humano. Capaz de realizar atos heróicos em um momento e ser levado pelo desespero criminoso no instante seguinte.


Enquanto isso, continuam a correr paralelamente a história do marido, escondido em uma fazenda de aproveitadores que espoliavam sua conta na Suíça, separado da esposa - destinada a "servir" aos nazistas e colaboracionistas, a saga da garota no convento, e por aí vai.


A trama chega ao período de pós-guerra com a caça-às-bruxas do colaboracionismo, e a França tentando retomar seu destino.

Como disse um crítico, certa vez: é um filme difícil de contar... mas imperdível, principalmente imperdível.

Eu diria: principalmente inesquecível.

(Aliás, inesquecível é a cena em que Henri e seus amigos vão à Normandia recepcionar os invasores aliados, sob uma tempestade de fogo e a visão emocionante dos paraquedistas...)


Oriza Martins///

Os Heróis não se Entregam (Counterpoint - 1968)

Os heróis não se entregam
(Counterpoint - 1968)
Drama de guerra.
Diretor:Ralph Nelson



Com: Charlton Heston, Maximilian Schell, Kathryn Hays, Leslie Nielsen, Anton Diffring

No inverno de 1944, na Bélgica ocupada, durante a contra-ofensiva das Ardenas, uma orquestra sinfônica a serviço dos Aliados (para distração das tropas) é capturada pelos nazistas e detida num destacamento alemão (um castelo na Bélgica). As ordens de Berlim são para que nenhum prisioneiro seja mantido com vida.
De nada adianta alegarem que são "não-combatentes", muito menos músicos de renome internacional. Todos são "condenados" à morte por um oficial alemão, mas, quando já se perfilavam diante do batalhão de fuzilamento, o General-comandante (um homem culto, aficionado por música erudita) reconhece o prisioneiro-maestro e resolve adiar a execução em troca de uma performance da orquestra.
O maestro decide ganhar tempo para ver se conseguem algum jeito de escapar e vai desconversando, negando a princípio, alegando que precisam treinar constantemente, etc. As coisas se complicam quando os músicos descobrem que dois soldados americanos haviam se misturado aos elementos da orquestra e precisam se esconder. Traçam, então, um plano de fuga, que deverá contar com a ajuda da resistência belga infiltrada no castelo.
O maestro, interpretado por Charlton Heston, é uma lenda internacional, dotado de forte personalidade e liderança. Por sua vez, o General alemão, bastante jovem para o cargo, tem personalidade semelhante. Começa então um interessante embate psicológico mantido entre ele e o General (Maximilian Schell), evidenciando-se ambas as personalidades instigantes - cultos e egocêntricos.




Curiosidades:



- O General alemão vivido por Maximilian Schell foi provavelmente inspirado no General Hasso-Eccard Freiherr von Manteuffel que, de fato, atuou nas Ardenas e era jovem para o cargo (47 anos, à época).

- Apresentam-se no filme os comandos treinados pelo lendário agente alemão Otto Skorzeny, formado por jovens que falavam inglês fluentemente e se travestiam com uniformes americanos, causando confusão no front das Ardenas.

- Um dos soldados infiltrados na orquestra fingia tocar no ensaio, quando um oficial alemão desconfiou dele por ser um músico muito jovem e ordenou que tocasse algo sozinho; todos ficam apavorados, mas o soldado começa de fato a tocar uma das poucas que ele havia aprendido de ouvido quando estudante - o hino americano - deixando o oficial alemão convencido e irritado.




- Há uma cena curiosa, em que o maestro é obrigado (vestindo um smoking) a usar uma metralhadora, um artista que supostamente nem saberia sequer pegar numa arma.

A curiosidade fica pelo fato de ser citada essa incapacidade do maestro no filme, enquanto o ator - Charlton Heston - era, na realidade, um dos líderes da NRA - a famosa associação de armas americana e, claro, um expert em armamentos.

- As performances Charlton Heston e Maximilain Schell são inesquecíveis bem como a trilha sonora repleta de obras primas da música erudita, com referências a Wagner... dentro dessa visão de "contraponto" (of course). Tocar Wagner para os alemães ouvirem é moeda de troca para o maestro. (Richard Wagner, divinizado pelos nazistas, foi um compositor alemão do século 19 que colocava judeus como os vilões de suas óperas).



- Não é exatamente uma película para quem gosta de "filmes de guerra". Há críticos que consideram a história inverossímel. De fato, trata-se de um drama, de uma ficção, e o principal "personagem" do filme são os diálogos do roteiro mantidos entre ambos os personagens principais - de Heston e Schell, recheados de referências culturais e morais - daí o título "Counterpoint" (contraponto) - talvez uma metáfora de comparação e/ou contraponto entre os dois lados do conflito mundial, suas semelhanças e diferenças.

Oriza Martins//


MEGALISTA de filmes sobre a Segunda Guerra Mundial

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