
Os Miseráveis (Les Misèrables-1995)
Direção: Claude Lelouch
Elenco: Jean-Paul Belmondo, Michel Boujenah, Alessandra Martines, Salomé Lelouch, Annie Girardot, Philippe Léotard... Duração: 170min
Cada época tem seus miseráveis.
O diretor Claude Lelouch realiza, nesse filme, um paralelo entre a obra de Vitor Hugo (com a situação catastrófica da época da Revolução Francesa) e o cenário da Segunda Guerra Mundial, na França.
Como todos os filmes de Lelouch, este é rico em personagens cujas vidas se entrecruzam.
Sinopse:

Para o humilde Henri Fortin (Jean-Paul Belmondo), a vida sempre foi um grande desafio. Desafios imensos o aguardam quando em seu caminho cruzam três pessoas desesperadas, fugindo do terror nazista.
Na primeira fase do filme, Henri Fortin, assim como o personagem de Vitor Hugo (Jean Valjean preso por roubar um pedaço de pão) - é preso por um crime que não cometeu e amarga o inferno na prisão francesa. Sua esposa acaba por ter que se prostituir para o patrão, sob os olhos de seu próprio filho, sendo constantemente humilhada.

Numa segunda fase, já sob o terror nazista, Henri Fortin dá carona a uma família de judeus em fuga.
Analfabeto, encanta-se com a leitura de "Os Miseráveis" pela garotinha da família, enquanto dirige seu caminhão.Começa, então, a paráfrase genial de Claude Lelouch - comparando as duas épocas com as sagas das personagens.
A família é obrigada a deixar a garota sob seus cuidados,
e Henri a interna em um convento católico onde a menina passará por novas provações durante a guerra.A partir daí, Henri Fortin vê-se envolvido pelo turbilhão da guerra: o colaboracionismo, a Resistência Francesa... Sua existência reflete com clareza a luta entre o bem e o mal que existe dentro de cada ser humano. Capaz de realizar atos heróicos em um momento e ser levado pelo desespero criminoso no instante seguinte.
Enquanto isso, continuam a correr paralelamente a história do marido, escondido em uma fazenda de aproveitadores que espoliavam sua conta na Suíça, separado da esposa
- destinada a "servir" aos nazistas e colaboracionistas, a saga da garota no convento, e por aí vai.
A trama chega ao período de pós-guerra com a caça-às-bruxas do colaboracionismo, e a França tentando retomar seu destino.

Como disse um crítico, certa vez: é um filme difícil de contar... mas imperdível, principalmente imperdível.
Eu diria: principalmente inesquecível.
(Aliás, inesquecível é a cena em que Henri e seus amigos vão à Normandia recepcionar os invasores aliados, sob uma tempestade de fogo e a visão emocionante dos paraquedistas...)
Oriza Martins///
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No inverno de 1944, na Bélgica ocupada, durante a contra-ofensiva das Ardenas, uma orquestra sinfônica a serviço dos Aliados (para distração das tropas) é capturada pelos nazistas e detida num destacamento alemão (um castelo na Bélgica). As ordens de Berlim são para que nenhum prisioneiro seja mantido com vida.
De nada adianta alegarem que são "não-combatentes", muito menos músicos de renome internacional. Todos são "condenados" à morte por um oficial alemão, mas, quando já se perfilavam diante do batalhão de fuzilamento, o General-comandante (um homem culto, aficionado por música erudita) reconhece o prisioneiro-maestro e resolve adiar a execução em troca de uma performance da orquestra. 
O maestro, interpretado por Charlton Heston, é uma lenda internacional, dotado de forte personalidade e liderança. Por sua vez, o General alemão, bastante jovem para o cargo, tem personalidade semelhante. Começa então um interessante embate psicológico mantido entre ele e o General (Maximilian Schell), evidenciando-se ambas as personalidades instigantes - cultos e egocêntricos.
- O General alemão vivido por Maximilian Schell foi provavelmente inspirado no General Hasso-Eccard Freiherr von Manteuffel que, de fato, atuou nas Ardenas e era jovem para o cargo (47 anos, à época). 


Tocar Wagner para os alemães ouvirem é moeda de troca para o maestro. (Richard Wagner, divinizado pelos nazistas, foi um compositor alemão do século 19 que colocava judeus como os vilões de suas óperas). 


Impressionantes seqüências de vôo, som aterrador e soberbos efeitos especiais fazem deste um dos mais filmes de combate aéreo mais realistas que já apresentados nas telas. 

Robertson, um hábil piloto na vida real, interpreta um aviador cansado pelas batalhas, cujo esquadrão da R.A.F. recebe a missão aparentemente suicida de destruir uma fábrica nazista de combustível para foguetes encravada em um fiorde norueguês. Chakiris interpreta um soldado da resistência cujo destino consta entre as diversas ironias do roteiro escrito com maestria.